Todos os dias me deparo na minha vida profissional e pessoal com pessoas cheias de certezas absolutas. Todos os dias observo pessoas cheias de certezas absolutas nos meios de comunicação social. Todos opinam, todos sabem, todos comentam.
Eu só tenho uma certeza absoluta: nasci e um dia morrerei.
Confesso que me causa alguma estranheza estas pessoas tão sábias e esclarecidas, que vêem tudo com uma clarividência tal, como se tivessem epifanias de cinco em cinco minutos! Para elas tudo é linear, rectilíneo, preto ou branco, defendem as suas certezas até às últimas consequências, não considerando sequer a possibilidade de estarem erradas e jamais mudam de ideias. É tão simples apontar o dedo... difícil é calçar os sapatos do outro e percorrer o mesmo caminho!
A vida nunca é preto ou branco, é também cinzento, amarelo, verde e todas as cores possíveis e imaginárias e é por isso que eu vivo com dúvidas, muitas dúvidas, diariamente! E considero que ter dúvidas não é sinónimo de insegurança, ou gosto de pensar que não... Porém, se ter dúvidas for, de facto, sinónimo de insegurança, prefiro-a à arrogância de tudo saber.
A História é a prova de que as dúvidas sempre levaram o Homem muito mais longe do que os dogmas, se assim não fosse, ainda estaríamos a condenar Galileu e ridicularizar a teoria do heliocentrismo.
Posto isto, se algum dia deixar de ter dúvidas e passar a ter apenas certezas absolutas, será o dia em que apenas existirei fisicamente e morrerei intelectualmente.

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