Há uns anos, quando a internet não fazia parte do nosso quotidiano nem sequer do nosso vocabulário, as notícias chegavam com a rapidez de um jornal, de um telefonema, ou da rádio e televisão. Hoje temos o mundo nos nossos smartphones e toda a informação acessível em segundos. Porém, apesar da rapidez e facilidade de acesso à informação, as pessoas continuam a comportar-se como a "ti Alzira" e a "ti Amélia", à janela, a verem quem passa e a falarem da vida dos outros e as redes sociais são um dos principais promotores destes comportamentos.
De uma forma geral, talvez por terem tanta informação rápida e pronta a usar, as pessoas tendem a não perder muito tempo a pensar. É comum criarem-se juízos de valor com a ligeireza de quem bebe um simples copo de água. E faço um mea culpa pois eu também já caí neste erro e, certamente, irei cair nele no futuro... Espero que os "entas" me ajudem a ter a capacidade de auto-crítica para evitar situações dessa natureza.
Se há algo que me irrita profundamente são as comparações. Nunca gostei. Em criança, se me queriam ver irritada bastava dizerem-me pérolas como: "ah... não gostas de correr? Mas olha que a Sandrinha (naquela época todas as meninas se chamavam Sandra, Sónia ou Carla, excepto eu) é uma excelente atleta!". Com o tempo, fui deixando de dar importância a este tipo de comparações, mas continuo a não compreender, por exemplo, a comparação de problemas! Não consigo digerir com facilidade que alguém diga "oh que chato, a tua casa ardeu num incêndio? Pois... mas a minha ardeu e ruiu, tu ainda tens as paredes"...
Como é possível comparar situações duras? Cada um sabe da sua vida! Ou devia... excepto as "ti Alziras e Amélias" que sabem mais da vida dos outros do que das delas próprias.
Que legitimidade têm as "ti Alziras e Amélias" para julgarem a minha vida? Por acaso conhecem-me o suficiente para tal? Ou apenas pensam que me conhecem? Só porque não coloco toda a minha vida online sou uma felizarda, com uma vida cor-de-rosa e sem problemas? Pois que pensem assim... Quem me conhece bem sabe o meu percurso e quais as subidas e descidas que o compõem e isso basta-me!
É muito fácil apontar o dedo! Oh se é!...
The grass is always greener on the other side...
Let it be!

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