sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Frio


Sendo eu uma pessoa que já viveu um bom par de décadas... ou dois pares de décadas, para ser mais precisa, há certos momentos na minha vida profissional em que o sangue me parece gelar nas veias. Por muita experiência que tenha e por muito que pense que estou preparada, a verdade é que não estou.

Hoje passei por uma situação dessas. Um desconforto indescritível. Frio, muito frio, tanto que mal conseguia mexer os dedos das mãos. O corpo tremia e o casaco grosso e o cachecol não eram suficientes nem pareciam adequados. Sentia o frio a penetrar-me a pele como agulhas. Muito frio, ao ponto de sentir os ossos gelados.

Não me conseguia concentrar e sentia que não seria capaz de executar as tarefas que tinha estipuladas para o dia. O único pensamento que me ocorria era o tempo que ainda tinha de estar naquele local. Queria sair dali, fugir para onde pudesse sentir o aconchego de um ambiente menos hostil.

Mas acredito que o ser humano é mais forte do que julga e eu fui mais forte! Aguentei! O sangue parecia não circular, os dedos hirtos pareciam não obedecer, o frio a percorrer-me o corpo... aguentei!

Até ao momento em que me libertei daquela situação. Alívio!

Como é bom, recuperar o sentido do tacto, a concentração, levar a cabo as tarefas e, no fundo, cumprir o meu dever apesar dos maus momentos passados.

E é com estupefacção que ainda me pergunto: quem terá regulado o climatizador para o frio?!?!?

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