sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Frio


Sendo eu uma pessoa que já viveu um bom par de décadas... ou dois pares de décadas, para ser mais precisa, há certos momentos na minha vida profissional em que o sangue me parece gelar nas veias. Por muita experiência que tenha e por muito que pense que estou preparada, a verdade é que não estou.

Hoje passei por uma situação dessas. Um desconforto indescritível. Frio, muito frio, tanto que mal conseguia mexer os dedos das mãos. O corpo tremia e o casaco grosso e o cachecol não eram suficientes nem pareciam adequados. Sentia o frio a penetrar-me a pele como agulhas. Muito frio, ao ponto de sentir os ossos gelados.

Não me conseguia concentrar e sentia que não seria capaz de executar as tarefas que tinha estipuladas para o dia. O único pensamento que me ocorria era o tempo que ainda tinha de estar naquele local. Queria sair dali, fugir para onde pudesse sentir o aconchego de um ambiente menos hostil.

Mas acredito que o ser humano é mais forte do que julga e eu fui mais forte! Aguentei! O sangue parecia não circular, os dedos hirtos pareciam não obedecer, o frio a percorrer-me o corpo... aguentei!

Até ao momento em que me libertei daquela situação. Alívio!

Como é bom, recuperar o sentido do tacto, a concentração, levar a cabo as tarefas e, no fundo, cumprir o meu dever apesar dos maus momentos passados.

E é com estupefacção que ainda me pergunto: quem terá regulado o climatizador para o frio?!?!?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

The grass is always greener on the other side

Há uns anos, quando a internet não fazia parte do nosso quotidiano nem sequer do nosso vocabulário, as notícias chegavam com a rapidez de um jornal, de um telefonema, ou da rádio e televisão. Hoje temos o mundo nos nossos smartphones e toda a informação acessível em segundos. Porém, apesar da rapidez e facilidade de acesso à informação, as pessoas continuam a comportar-se como a "ti Alzira" e a "ti Amélia", à janela, a verem quem passa e a falarem da vida dos outros e as redes sociais são um dos principais promotores destes comportamentos.

De uma forma geral, talvez por terem tanta informação rápida e pronta a usar, as pessoas tendem a não perder muito tempo a pensar. É comum criarem-se juízos de valor com a ligeireza de quem bebe um simples copo de água. E faço um mea culpa pois eu também já caí neste erro e, certamente, irei cair nele no futuro... Espero que os "entas" me ajudem a ter a capacidade de auto-crítica para evitar situações dessa natureza.

Se há algo que me irrita profundamente são as comparações. Nunca gostei. Em criança, se me queriam ver irritada bastava dizerem-me pérolas como: "ah... não gostas de correr? Mas olha que a Sandrinha (naquela época todas as meninas se chamavam Sandra, Sónia ou Carla, excepto eu) é uma excelente atleta!". Com o tempo, fui deixando de dar importância a este tipo de comparações, mas continuo a não compreender, por exemplo, a comparação de problemas! Não consigo digerir com facilidade que alguém diga "oh que chato, a tua casa ardeu num incêndio? Pois... mas a minha ardeu e ruiu, tu ainda tens as paredes"...

Como é possível comparar situações duras? Cada um sabe da sua vida! Ou devia... excepto as "ti Alziras e Amélias" que sabem mais da vida dos outros do que das delas próprias.

Que legitimidade têm as "ti Alziras e Amélias" para julgarem a minha vida? Por acaso conhecem-me o suficiente para tal? Ou apenas pensam que me conhecem? Só porque não coloco toda a minha vida online sou uma felizarda, com uma vida cor-de-rosa e sem problemas? Pois que pensem assim... Quem me conhece bem sabe o meu percurso e quais as subidas e descidas que o compõem e isso basta-me!

É muito fácil apontar o dedo! Oh se é!... 

The grass is always greener on the other side...

Let it be!