terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Moda para fotografias hilariantes do passado


Um dos aspectos positivos dos "entas" foi o facto de me ter apercebido de deixei no passado muitas das inseguranças que tinha. Espero conseguir um dia atingir em pleno o nirvana do borrifanço de certos avós, que se livram assim do peso dos tabus, preconceitos, rótulos, etc..

Uma das inseguranças que deixei no passado foi a necessidade de seguir modas. De usar isto ou aquilo só porque as minhas amigas usavam. Sim, nos anos 80 e 90, também vivíamos em rebanhos homogéneos e monótonos, tal como as jovens de hoje, com os seus cabelos compridos alisados, as suas saias compridas e os seus sapatos de sola grossa. Uma igual à outra.

É certo que criatura que vive em sociedade não consegue ser totalmente imune às influências, mas eu gosto de pensar que hoje uso aquilo de que eu gosto e não aquilo que eu acho que os outros gostariam de me ver usar.

Ok, admito, tema fútil este... seja! Por vezes apetece ser fútil...

Estar nos "entas" confere já algum estatuto a nível da observação da evolução da moda. Afinal, quem nasceu na época dos cortes à tigela, dos folhos, das bocas de sino e das golas à aviador dos anos 70; sobreviveu às permanentes, aos chumaços, à licra fluorescente e em padrões esquizofrénicos e às luvas de renda dos anos 80; gastou latas de laca a armar poupas que desafiavam a gravidade, usou camisas de flanela ao xadrez e calças de ganga de cinta subida com virolas nos anos 90, possui conhecimento digno de tese de doutoramento no que concerne a moda-ridícula-que-resulta-numas-quantas-fotografias-para-mais-tarde-recordar-às-gargalhadas.

Assim sendo, tendo eu passado por estas épocas delirantes da moda, há certas coisas ditas "modernas" e que me deixam a pensar que, no futuro, virão muitos mais momentos de diversão à custa das fotografias que se vão tirando por aí... 

Um destes exemplos são as "culottes". Dizem que vai ser uma aposta forte da moda para 2015. É certo que eu é que estou errada e totalmente fora de moda, admito-o, mas não entra nesta cabecinha de mulher nos "entas" a lógica de vestir umas calças que não são calças nem calções... ficam ali naquele "não sei se vou, não sei se fico". 

Fico com a sensação de que faltou tecido e que o resultado foram umas calças à "Anhuca", ou que alguém, por engano, enfiou as calças na máquina de lavar roupa no programa errado.

Culottes? A sério? Mas está tudo doido ou sou eu que estou "out"? 

Sim, eu sei, estou "out" e com muito gosto!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Frio


Sendo eu uma pessoa que já viveu um bom par de décadas... ou dois pares de décadas, para ser mais precisa, há certos momentos na minha vida profissional em que o sangue me parece gelar nas veias. Por muita experiência que tenha e por muito que pense que estou preparada, a verdade é que não estou.

Hoje passei por uma situação dessas. Um desconforto indescritível. Frio, muito frio, tanto que mal conseguia mexer os dedos das mãos. O corpo tremia e o casaco grosso e o cachecol não eram suficientes nem pareciam adequados. Sentia o frio a penetrar-me a pele como agulhas. Muito frio, ao ponto de sentir os ossos gelados.

Não me conseguia concentrar e sentia que não seria capaz de executar as tarefas que tinha estipuladas para o dia. O único pensamento que me ocorria era o tempo que ainda tinha de estar naquele local. Queria sair dali, fugir para onde pudesse sentir o aconchego de um ambiente menos hostil.

Mas acredito que o ser humano é mais forte do que julga e eu fui mais forte! Aguentei! O sangue parecia não circular, os dedos hirtos pareciam não obedecer, o frio a percorrer-me o corpo... aguentei!

Até ao momento em que me libertei daquela situação. Alívio!

Como é bom, recuperar o sentido do tacto, a concentração, levar a cabo as tarefas e, no fundo, cumprir o meu dever apesar dos maus momentos passados.

E é com estupefacção que ainda me pergunto: quem terá regulado o climatizador para o frio?!?!?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

The grass is always greener on the other side

Há uns anos, quando a internet não fazia parte do nosso quotidiano nem sequer do nosso vocabulário, as notícias chegavam com a rapidez de um jornal, de um telefonema, ou da rádio e televisão. Hoje temos o mundo nos nossos smartphones e toda a informação acessível em segundos. Porém, apesar da rapidez e facilidade de acesso à informação, as pessoas continuam a comportar-se como a "ti Alzira" e a "ti Amélia", à janela, a verem quem passa e a falarem da vida dos outros e as redes sociais são um dos principais promotores destes comportamentos.

De uma forma geral, talvez por terem tanta informação rápida e pronta a usar, as pessoas tendem a não perder muito tempo a pensar. É comum criarem-se juízos de valor com a ligeireza de quem bebe um simples copo de água. E faço um mea culpa pois eu também já caí neste erro e, certamente, irei cair nele no futuro... Espero que os "entas" me ajudem a ter a capacidade de auto-crítica para evitar situações dessa natureza.

Se há algo que me irrita profundamente são as comparações. Nunca gostei. Em criança, se me queriam ver irritada bastava dizerem-me pérolas como: "ah... não gostas de correr? Mas olha que a Sandrinha (naquela época todas as meninas se chamavam Sandra, Sónia ou Carla, excepto eu) é uma excelente atleta!". Com o tempo, fui deixando de dar importância a este tipo de comparações, mas continuo a não compreender, por exemplo, a comparação de problemas! Não consigo digerir com facilidade que alguém diga "oh que chato, a tua casa ardeu num incêndio? Pois... mas a minha ardeu e ruiu, tu ainda tens as paredes"...

Como é possível comparar situações duras? Cada um sabe da sua vida! Ou devia... excepto as "ti Alziras e Amélias" que sabem mais da vida dos outros do que das delas próprias.

Que legitimidade têm as "ti Alziras e Amélias" para julgarem a minha vida? Por acaso conhecem-me o suficiente para tal? Ou apenas pensam que me conhecem? Só porque não coloco toda a minha vida online sou uma felizarda, com uma vida cor-de-rosa e sem problemas? Pois que pensem assim... Quem me conhece bem sabe o meu percurso e quais as subidas e descidas que o compõem e isso basta-me!

É muito fácil apontar o dedo! Oh se é!... 

The grass is always greener on the other side...

Let it be!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

(in)Certezas



Todos os dias me deparo na minha vida profissional e pessoal com pessoas cheias de certezas absolutas. Todos os dias observo pessoas cheias de certezas absolutas nos meios de comunicação social. Todos opinam, todos sabem, todos comentam. 

Eu só tenho uma certeza absoluta: nasci e um dia morrerei.

Confesso que me causa alguma estranheza estas pessoas tão sábias e esclarecidas, que vêem tudo com uma clarividência tal, como se tivessem epifanias de cinco em cinco minutos! Para elas tudo é linear, rectilíneo, preto ou branco, defendem as suas certezas até às últimas consequências, não considerando sequer a possibilidade de estarem erradas e jamais mudam de ideias. É tão simples apontar o dedo... difícil é calçar os sapatos do outro e percorrer o mesmo caminho! 

A vida nunca é preto ou branco, é também cinzento, amarelo, verde e todas as cores possíveis e imaginárias e é por isso que eu vivo com dúvidas, muitas dúvidas, diariamente! E considero que ter dúvidas não é sinónimo de insegurança, ou gosto de pensar que não... Porém, se ter dúvidas for, de facto, sinónimo de insegurança, prefiro-a à arrogância de tudo saber.

A História é a prova de que as dúvidas sempre levaram o Homem muito mais longe do que os dogmas, se assim não fosse, ainda estaríamos a condenar Galileu e ridicularizar a teoria do heliocentrismo.

Posto isto, se algum dia deixar de ter dúvidas e passar a ter apenas certezas absolutas, será o dia em que apenas existirei fisicamente e morrerei intelectualmente.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Quase-qualquer-coisa


O ser humano é de tal forma complexo que, creio, se todas as ciências se unirem, não conseguirão desvendar totalmente os segredos desta espécie.

E como ser complexo que é, tece teias sociais igualmente complexas. Sem me alongar demasiado sobre esta temática, até porque não sou especialista e tenho coisas mais interessantes para fazer, apenas me vou debruçar (salvo seja) sobre os "quase-qualquer-coisa".

Quem são os "quase-qualquer-coisa"? 

São os "quase-namorados", os "quase-amigos", os "quase-familiares" (com ou sem laços de sangue), etc..

Gosto desta subespécie. Têm o seu quê de enigmático... São aqueles que, por artes mágicas, aparecem e desaparecem sem percebermos muito bem como e porquê.

Gostam de nos colocar em banho-maria à espera do momento em que deixam de ser "quase" e passam a ser efectivos. Por norma, têm sempre uma explicação lógica para as suas ausências e, como tal, o nosso dever é de os receber de braços abertos e com a gratidão de um chocolate resgatado de uma vitrina ao sol. Caso não se sintam acolhidos como pensam que devem ser, fazem questão de deixar bem claro que estamos a cometer uma falha grave e dificilmente nos perdoam. São, portanto, uma subespécie com um ego hiper desenvolvido e com um défice de capacidade de socialização que os impossibilita de se colocarem no lugar do outro. "Eu, me, mim, migo" são os únicos pronomes que utilizam.

Quando o "eu, me, mim, migo" sente que está na altura, reaparece com todo o seu esplendor e sempre com uma história bonita para contar. Talvez fosse interessante compilar estas histórias num volume para facilitar a tarefa de escolher a que mais se adequada a cada situação... Tenho até uma sugestão para o título deste compêndio: "Desculpas esfarrapadas". Lindo! Todo o "quase-namorado", "quase-amigo" ou "quase-familiar" digno desse nome deveria possuir um exemplar.

Já estou a imaginar...

"Quase-namorado": - Ahh e tal... eu era para ter aparecido no dia combinado para oficializarmos o namoro mas houve uma inundação lá no trabalho e, curiosamente, a minha cadeira foi apanhada na corrente e eu não tive hipótese de sair. Fiz duas circum-navegações e, numa delas, fui picado por uma raia gigante, estive a recuperar um ano numa tribo da Amazónia, regressei a nado, finalmente, cheguei! Não estás feliz por me ver?

"Quase-amigo": - Ahh e tal... eu quis muito ir visitar-te quando estiveste doente mas fui ao Egipto e fui apanhado numa tempestade de areia, fiquei soterrado e tive de escavar um túnel com o único objecto que tinha no bolso, um palito de madeira. Escavei durante um ano, dois meses, quinze dias e dezassete horas. Quando me libertei da areia fui atropelado por uma cáfila em transumância e fiquei inconsciente durante mais oito meses. Quando acordei, o meu único pensamento foi rever-te, meu querido amigo! Não estás feliz por me ver?

"Quase-familiar": - Ahh e tal... não sei o que se passou com o meu telemóvel, penso que foi invadido por micro-extraterrestres que se alimentaram dos meus contactos e fiquei sem o teu número. Estas criaturas também me provocaram uma amnésia de tal forma grave que, durante dois anos, nem me lembrei que existias. Esqueci-me completamente do teu aniversário, do Natal e todas as épocas festivas, de querer saber se estarias bem de saúde e de todos os momentos que passámos juntos quando éramos crianças. Fui tantas vezes à tua terra e nunca me lembrei de te visitar! Mas na semana passada, tropecei numa pedra, recuperei toda a memória e lembrei-me da tua morada. Por isso aqui estou para te convidar para o meu casamento! Não estás feliz por me ver?

Estes "quase-qualquer-coisa" quase me divertem mas a idade é tramada e, estando eu nos "entas", quase não tenho paciência... quase... 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

13.11.2010 15.20


Nunca gostei de datas, isto é, de datas impostas, em que é suposto fazermos ou comemorarmos algo. A grande excepção será o Natal e os aniversários. Não gosto que determinados dias no calendário ditem como devo agir ou os outros devem agir comigo. Fui habituada desde criança a não valorizar dia da mãe e dia do pai porque dia da mãe e dia do pai são 365 dias nos anos normais e 366 nos anos bissextos. Não gosto do dia de São Valentim e dos coraçõezinhos e cupidinhos e ursinhos fofinhos e florzinhas e bombonzinhos, dia dos namorados tem de acontecer todos os dias e ser comemorado todos os dias, porque apetece, não por imposição. Até a passagem de ano não é um dia que me agrade totalmente... prefiro não ter planos e deixar a noite fluir de acordo com o momento do que ter de estar num restaurante, em turnos, a pagar 300 por cento do que devia, a engolir passas empurradas por champanhe só porque é suposto divertir-me e cumprir os rituais.

Mas há datas que marcam. Há datas que ficam irremediavelmente associadas a acontecimentos bons e outras a acontecimentos maus. E é assim que tem de ser... acontecimentos bons para recordar e maus para me fazerem crescer.

Dia 13 de Novembro de 2010. Apenas uma data mais no calendário. Passado. Passado no tempo mas bem presente na minha memória. Um ponto de não retorno. Hora 15.20. Às 15.21 já não era a mesma. Ao contrário da entrada nos "entas" que não surtiu qualquer efeito, este minuto do dia 13 de Novembro de 2010 mudou-me para sempre. Mudou a minha vida e a minha forma de ver o mundo. Aquele minuto obrigou-me a ir buscar forças onde eu não sabia existirem. Fez-me pensar muitas vezes em mudar de rumo, optar pelo mais fácil. Não mudei de rumo. Foi uma escolha difícil. Não me arrependo. 

Aquele minuto mudou-me! Apesar de ter duvidado muitas vezes da minha capacidade de superar o que aquele minuto me trouxe, hoje sei que estou mais forte. 

E é assim que vivo mais um dia do calendário, com a memória daquele dia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Eu e os livros


Os livros sempre fizeram parte da minha vida. Não sabia juntar duas letras e já convivia com livros. A estante da casa dos meus pais sempre teve livros, muitos livros, e eu sempre fui estimulada a folheá-los e a estimá-los como algo de precioso. Recordo-me de ler livros como "A Costa dos Murmúrios", "Crónica dos Bons Malandros", "O Delfim", etc., numa idade em que não tinha maturidade para os compreender totalmente.

Excepto alguns exemplares que, por sugestão dos meus pais e para que apreciasse a importância da partilha, ofereci a uma biblioteca infantil, conservo os meus livros de infância. Do mesmo modo, conservo todos os livros dos teen, dos intas e dos entas. Confesso o meu lado egoísta no que diz respeito a esta matéria. Não gosto de emprestar livros, assim como não gosto de pedir emprestado. Para mim, os livros estão ao nível do que se diz para os cônjuges e para os automóveis... não se emprestam nem se pedem emprestados. As poucas vezes que emprestei livros fi-lo porque sabia que iriam regressar às minhas mãos tal e qual como tinham sido entregues. Bem sei que é uma forma de poupar dinheiro e espaço mas o lado emocional tem pesado mais do que o material...

Adoro perder a noção do tempo numa livraria. Há algo mais estimulante do que uma estante repleta de novos exemplares à espera de serem descobertos? Gosto de lhes mexer, ver a capa, a sobrecapa e a contracapa, ler a sinopse, sentir-lhes o cheiro. Gosto de sentir que há um sem fim de visões do mundo a conhecer. E como detesto ser interrompida e arrastada deste estado zen por um funcionário solícito com o seu "bom dia, posso ajudar?" (como quem diz: despacha lá isso que eu preciso de facturar). 

Ler faz bem... está provado cientificamente! Estimula o cérebro e previne doenças. Serve de calmante ou excitante, consoante o tema. E, tal como nas farmácias, há temas para todos os males/gostos. Se me quiserem matar de tédio, ofereçam-me livros de auto-ajuda, romances lamechas e cor-de-rosa do prefácio ao posfácio ou livros em sagas sobre vampiros ou delírios sexuais de donas de casa, que servem apenas como minas de dinheiro. Se me quiserem ver feliz, ofereçam-me livros com uma boa dose de realidade, sejam totalmente ficcionais ou baseados em factos reais, mas que sejam credíveis, bem estruturados e bem escritos. Não há nada pior do que um escritor que toma o seu leitor por garantido e que não se dedica de corpo e alma à escrita. Não é possível ludibriar um leitor.

Ainda não me converti às novas tecnologias no que diz respeito à leitura, talvez o faça um dia, pelo meio ambiente e pela escassez de espaço na minha biblioteca pessoal, mas creio que sentirei a falta do toque do papel e da sensação boa de virar a página. E como farei quando terminar o livro? Tenho por hábito, quando termino um livro, ficar uns momentos com ele no regaço, a pensar sobre o que aquela forma de ver o mundo acrescentou à minha forma de ver o mundo e a contemplar mais uma vez a capa, a sobrecapa e a contracapa. Com um livro electrónico conseguirei manter este hábito? Talvez não... mas a vida é assim, evolução e mudança de hábitos... 

Há, porém, um hábito que não pretendo mudar, o da leitura. Sempre esteve presente na minha vida, faz parte de mim.