quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Eu e os livros


Os livros sempre fizeram parte da minha vida. Não sabia juntar duas letras e já convivia com livros. A estante da casa dos meus pais sempre teve livros, muitos livros, e eu sempre fui estimulada a folheá-los e a estimá-los como algo de precioso. Recordo-me de ler livros como "A Costa dos Murmúrios", "Crónica dos Bons Malandros", "O Delfim", etc., numa idade em que não tinha maturidade para os compreender totalmente.

Excepto alguns exemplares que, por sugestão dos meus pais e para que apreciasse a importância da partilha, ofereci a uma biblioteca infantil, conservo os meus livros de infância. Do mesmo modo, conservo todos os livros dos teen, dos intas e dos entas. Confesso o meu lado egoísta no que diz respeito a esta matéria. Não gosto de emprestar livros, assim como não gosto de pedir emprestado. Para mim, os livros estão ao nível do que se diz para os cônjuges e para os automóveis... não se emprestam nem se pedem emprestados. As poucas vezes que emprestei livros fi-lo porque sabia que iriam regressar às minhas mãos tal e qual como tinham sido entregues. Bem sei que é uma forma de poupar dinheiro e espaço mas o lado emocional tem pesado mais do que o material...

Adoro perder a noção do tempo numa livraria. Há algo mais estimulante do que uma estante repleta de novos exemplares à espera de serem descobertos? Gosto de lhes mexer, ver a capa, a sobrecapa e a contracapa, ler a sinopse, sentir-lhes o cheiro. Gosto de sentir que há um sem fim de visões do mundo a conhecer. E como detesto ser interrompida e arrastada deste estado zen por um funcionário solícito com o seu "bom dia, posso ajudar?" (como quem diz: despacha lá isso que eu preciso de facturar). 

Ler faz bem... está provado cientificamente! Estimula o cérebro e previne doenças. Serve de calmante ou excitante, consoante o tema. E, tal como nas farmácias, há temas para todos os males/gostos. Se me quiserem matar de tédio, ofereçam-me livros de auto-ajuda, romances lamechas e cor-de-rosa do prefácio ao posfácio ou livros em sagas sobre vampiros ou delírios sexuais de donas de casa, que servem apenas como minas de dinheiro. Se me quiserem ver feliz, ofereçam-me livros com uma boa dose de realidade, sejam totalmente ficcionais ou baseados em factos reais, mas que sejam credíveis, bem estruturados e bem escritos. Não há nada pior do que um escritor que toma o seu leitor por garantido e que não se dedica de corpo e alma à escrita. Não é possível ludibriar um leitor.

Ainda não me converti às novas tecnologias no que diz respeito à leitura, talvez o faça um dia, pelo meio ambiente e pela escassez de espaço na minha biblioteca pessoal, mas creio que sentirei a falta do toque do papel e da sensação boa de virar a página. E como farei quando terminar o livro? Tenho por hábito, quando termino um livro, ficar uns momentos com ele no regaço, a pensar sobre o que aquela forma de ver o mundo acrescentou à minha forma de ver o mundo e a contemplar mais uma vez a capa, a sobrecapa e a contracapa. Com um livro electrónico conseguirei manter este hábito? Talvez não... mas a vida é assim, evolução e mudança de hábitos... 

Há, porém, um hábito que não pretendo mudar, o da leitura. Sempre esteve presente na minha vida, faz parte de mim.

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