segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Da confiança


Esta coisa dos "entas" faz com que dê importância a determinados assuntos que, há uns anos, nem me passavam pela cabeça. Digo que é dos "entas" porque não ando a ler filosofia nem livros de auto-ajuda e também não sou muito dada a leitura de obras ou grandes frases lamechas sobre a vida e afins.

Bom, voltando ao assunto, ultimamente dou por mim a pensar que na minha vida, cada vez mais, a confiança é o elemento mais precioso. Muitos poderão advogar a causa da saúde ou a causa do amor, por exemplo... Para mim é a confiança... Não a confiança cega que gera ignorância, passividade, ingenuidade, mas a confiança que dá garantias, ânimo e alguma segurança. 

Considero importante poder confiar num médico quando estou doente e, principalmente de sentir que posso confiar. 

Seria bom poder confiar nos políticos do meu país e no rumo que vão traçando para todos nós, mas não posso... lá está, se confiasse seria confiança cega... A falta de confiança na política gera incerteza em relação ao futuro económico, social e até cultural. E como é possível trabalhar, desenvolver projectos, viver num país que não tem confiança nos seus dirigentes máximos?

Do mesmo modo, seria bom poder ter confiança na justiça deste país e nas forças de segurança mas, com tanto ladrão que vai para a prisão por roubar um pão e com tanto doutor que vai para uma ilha paradisíaca por roubar um milhão (ou muitos) e ainda recebe uma condecoração, não há a mínima possibilidade de confiar...

E como é bom ter alguém em que é possível confiar, seja um chefe, um subalterno ou um colega; um amigo ou um familiar. Ter a noção de que aquela pessoa está lá nos momentos bons e maus e que dá a palmadinha nas costas quando é merecida, mas também dá o estalo na cara quando é preciso. 

A confiança... 

Elemento fundamental e que tem tanto de forte como de frágil. A confiança une e a falta de confiança desune. A confiança segura pela mão e a falta de confiança empurra para o chão. A confiança é difícil de conquistar e fácil de perder e, uma vez perdida, tão difícil de recuperar... Recuperar a confiança perdida dá trabalho, requer esforço, é um processo com avanços e recuos, que exige dedicação e vontade e que, no final, não volta a ser como era.

Como se devolve a confiança ao doente mal diagnosticado, ao eleitor desiludido, ao empresário falido e ao empregado despedido, ao cidadão injustiçado, ao amigo ou familiar esquecido, à criança maltratada, ao cônjuge traído...?

A confiança... para mim o pilar de tudo... não a confiança cega mas a confiança confiança que une, a confiança que valoriza, que dá esperança e amparo, que permite acreditar em si próprio e avançar apesar dos medos, a confiança...

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