E como ser complexo que é, tece teias sociais igualmente complexas. Sem me alongar demasiado sobre esta temática, até porque não sou especialista e tenho coisas mais interessantes para fazer, apenas me vou debruçar (salvo seja) sobre os "quase-qualquer-coisa".
Quem são os "quase-qualquer-coisa"?
São os "quase-namorados", os "quase-amigos", os "quase-familiares" (com ou sem laços de sangue), etc..
Gosto desta subespécie. Têm o seu quê de enigmático... São aqueles que, por artes mágicas, aparecem e desaparecem sem percebermos muito bem como e porquê.
Gostam de nos colocar em banho-maria à espera do momento em que deixam de ser "quase" e passam a ser efectivos. Por norma, têm sempre uma explicação lógica para as suas ausências e, como tal, o nosso dever é de os receber de braços abertos e com a gratidão de um chocolate resgatado de uma vitrina ao sol. Caso não se sintam acolhidos como pensam que devem ser, fazem questão de deixar bem claro que estamos a cometer uma falha grave e dificilmente nos perdoam. São, portanto, uma subespécie com um ego hiper desenvolvido e com um défice de capacidade de socialização que os impossibilita de se colocarem no lugar do outro. "Eu, me, mim, migo" são os únicos pronomes que utilizam.
Gostam de nos colocar em banho-maria à espera do momento em que deixam de ser "quase" e passam a ser efectivos. Por norma, têm sempre uma explicação lógica para as suas ausências e, como tal, o nosso dever é de os receber de braços abertos e com a gratidão de um chocolate resgatado de uma vitrina ao sol. Caso não se sintam acolhidos como pensam que devem ser, fazem questão de deixar bem claro que estamos a cometer uma falha grave e dificilmente nos perdoam. São, portanto, uma subespécie com um ego hiper desenvolvido e com um défice de capacidade de socialização que os impossibilita de se colocarem no lugar do outro. "Eu, me, mim, migo" são os únicos pronomes que utilizam.
Quando o "eu, me, mim, migo" sente que está na altura, reaparece com todo o seu esplendor e sempre com uma história bonita para contar. Talvez fosse interessante compilar estas histórias num volume para facilitar a tarefa de escolher a que mais se adequada a cada situação... Tenho até uma sugestão para o título deste compêndio: "Desculpas esfarrapadas". Lindo! Todo o "quase-namorado", "quase-amigo" ou "quase-familiar" digno desse nome deveria possuir um exemplar.
Já estou a imaginar...
"Quase-namorado": - Ahh e tal... eu era para ter aparecido no dia combinado para oficializarmos o namoro mas houve uma inundação lá no trabalho e, curiosamente, a minha cadeira foi apanhada na corrente e eu não tive hipótese de sair. Fiz duas circum-navegações e, numa delas, fui picado por uma raia gigante, estive a recuperar um ano numa tribo da Amazónia, regressei a nado, finalmente, cheguei! Não estás feliz por me ver?
"Quase-amigo": - Ahh e tal... eu quis muito ir visitar-te quando estiveste doente mas fui ao Egipto e fui apanhado numa tempestade de areia, fiquei soterrado e tive de escavar um túnel com o único objecto que tinha no bolso, um palito de madeira. Escavei durante um ano, dois meses, quinze dias e dezassete horas. Quando me libertei da areia fui atropelado por uma cáfila em transumância e fiquei inconsciente durante mais oito meses. Quando acordei, o meu único pensamento foi rever-te, meu querido amigo! Não estás feliz por me ver?
"Quase-familiar": - Ahh e tal... não sei o que se passou com o meu telemóvel, penso que foi invadido por micro-extraterrestres que se alimentaram dos meus contactos e fiquei sem o teu número. Estas criaturas também me provocaram uma amnésia de tal forma grave que, durante dois anos, nem me lembrei que existias. Esqueci-me completamente do teu aniversário, do Natal e todas as épocas festivas, de querer saber se estarias bem de saúde e de todos os momentos que passámos juntos quando éramos crianças. Fui tantas vezes à tua terra e nunca me lembrei de te visitar! Mas na semana passada, tropecei numa pedra, recuperei toda a memória e lembrei-me da tua morada. Por isso aqui estou para te convidar para o meu casamento! Não estás feliz por me ver?
Estes "quase-qualquer-coisa" quase me divertem mas a idade é tramada e, estando eu nos "entas", quase não tenho paciência... quase...

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